quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Iluminação das cidades piora poluição do ar

Uma pesquisa de cientistas americanos sugere que as luzes fortes de cidades podem piorar a poluição do ar.

O estudo da Administração Oceanográfica e Atmosférica dos EUA (Noaa, na sigla em inglês) indica que a claridade que é jogada para o céu interfere com reações químicas.

Essas reações normalmente ajudam a limpar o ar da fumaça dos carros e fábricas durante a noite.

O estudo da Noaa foi realizado com a ajuda de uma aeronave que sobrevoou Los Angeles e foi apresentado na reunião da União Americana de Geofísica, em São Francisco.

Escapamentos de carros, chaminés de fábricas e outros tipos de emissões formam uma mistura de moléculas que a natureza tenta limpar.

Para esta limpeza é usado um óxido de nitrogênio que quebra elementos químicos que, de outra maneira, formariam poluição e ozônio e que transformam o ar da cidade em algo irritante para as vias respiratórias.

A limpeza geralmente ocorre durante as horas de escuridão, pois o óxido de nitrogênio é destruído pela luz do sol, por isso este óxido de nitrogênio aparece apenas durante a noite.

As novas medições do Noaa indicam que a energia de luzes que ficam acesas durante toda a noite nos grandes centros urbanos estão suprimindo o óxido de nitrogênio. As luzes podem ser 10 mil vezes mais fracas do que o sol, mas o efeito ainda é significativo.

"Nossos primeiros resultados indicam que as luzes podem desacelerar a limpeza noturna em até 7% e elas também podem aumentar em até 5% os (elementos) químicos iniciais para poluição por ozônio no dia seguinte", afirmou Harald Stark, do Noaa, à BBC.

"Precisamos trabalhar mais para quantificar o próximo passo, que será o quanto de ozônio nós podemos ter no dia seguinte. Este trabalho será importante, pois muitas cidades estão perto de seus limites regulatórios em termos de níveis de ozônio. Então, até mesmo uma mudança pequena pode ser importante", acrescentou o cientista.

A maioria das lâmpadas usadas em Los Angeles é de lâmpadas de vapor de sódio ou então halógenas. De acordo com Stark, mudar a iluminação pública para outros tipos de lâmpadas limitariam esse efeito.

O óxido de nitrogênio é menos afetado por luz vermelha, mas o cientista duvida que as autoridades municipais queiram iluminar as cidades com luzes vermelhas.

Uma forma de lidar com o problema seria seguir as orientações ativistas que fazem campanha por "céus escuros", que afirmam que é melhor manter as luzes apontadas para o chão para evitar que o brilho apague a luz das estrelas.

"Este efeito é mais grave no alto, no ar, do que diretamente no chão. Então, se você conseguir manter a luz apontada para baixo e não a quer refletida nos céus, para partes mais altas da atmosfera, então você certamente terá um efeito muito menor", disse Stark.

Fonte: Folha.com

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pesquisa gera água potável, produz hidrogênio e trata efluentes simultaneamente

Pesquisadores das Escolas de Engenharia e Ciência Aplicada da Universidade de Denver, no Colorado, Estados Unidos, descobriram uma forma de dessalinizar água, produzir hidrogênio e tratar efluentes poluídos – tudo de forma simultânea.

A descoberta foi feita através da melhoria de uma tecnologia publicada em 2009 que incorporava o processo de dessalinização em células microbianas de combustível, criando um processo capaz de tratar as águas residuais e produzir eletricidade ao mesmo tempo. Porém, colocar o sistema em funcionamento se mostrou um problema para primeiros pesquisadores.

Assim, a equipe de cientistas da Universidade de Denver decidiu aprimorar a tecnologia, e após seis meses de experimentos conseguiram produzir o gás hidrogênio (que pode ser coletado e armazenado) através do sistema.

A pesquisa foi publicada na Environmental Science and Technology no dia 1º de dezembro e financiado pelo Escritório de Pesquisa Naval americano. De acordo com Zhiyong Ren, co-autor da pesquisa, “navios e suas tripulações precisam de energia gerada no local, bem como água potável. Assim, a Marinha está muito interessado em ambos os processos; dessalinização com baixo consumo de energia e produção de energia renovável”.

Outro estudo recente, feito por um grupo da Universidade Estadual da Pensilvânia, demonstrou resultados semelhantes no qual a energia contida no gás hidrogênio não apenas compensava o que era gasto no processo de dessalinização, como possuía excedentes que podiam ser empregados em outras atividades.

Segundo os pesquisadores de Denver, a próxima etapa da pesquisa será utilizar água residual para testar a eficiência da tecnologia e otimizar a configuração do reator para melhorar o desempenho do sistema. “Estamos muito animados com nossas descobertas e vamos continuar trabalhando para aprimorar essa tecnologia”, afirma Ren.

Fonte: EcoDesenvolvimento

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Brasil é responsável por 52% dos gases do efeito estufa na América Latina

Brasil, Argentina, Venezuela e México são responsáveis por 79% das emissões de gases que causam o efeito estufa na América Latina, indica um relatório das Nações Unidas divulgado na segunda-feira na Cúpula sobre Mudança Climática (COP-16).

O documento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), desenvolvido com o apoio do instituto GRID Arendal, destaca que o Brasil sozinho fornece 52% das emissões de toda a região.

O estudo adverte que as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) na América Latina em 2006, excluindo as por mudança no uso da terra, foram de 38,754 bilhões de toneladas métricas.

Analisando dados de 2005, a pesquisa assinala que a média das emissões per capita da região, também excluindo as por mudança no uso da terra, foi de 5,5 toneladas métricas de CO2, sendo que Trinidad e Tobago, Uruguai, Venezuela e Argentina registraram, nessa ordem, as maiores emissões por habitante.

As principais fontes de emissão de gases do efeito estufa na América Latina são a mudança no uso da terra e silvicultura, agricultura e energia, acrescenta o documento, intitulado "Os Gráficos Vitais da Mudança Climática na América Latina e Caribe".

Por países, o Brasil é o maior emissor por mudança no uso da terra, com mais de 800 mil toneladas métricas de CO2.

"A importância da agricultura na região se vê refletida também nas emissões, tendo Brasil, Paraguai, Argentina, Jamaica e Colômbia uma participação significativa deste setor no total de suas emissões", ressalta o estudo.

Quanto às emissões por energia na região, os dois países que mais contribuem são México e Brasil, que juntos emitem mais de 500 mil toneladas de CO2.

"Apesar de ainda não sermos grandes emissores, se a América Latina seguir crescendo de maneira contínua e com a mesma plataforma produtiva, poderemos nos transformar em grandes emissores no futuro", indicou o pesquisador da Cepal e coautor do documento, Luis Miguel Galindo, em entrevista coletiva para apresentar os resultados do estudo.

Segundo Galindo, América Latina e Caribe têm um índice de emissões de 1.152 toneladas de CO2 por cada milhão de dólares do seu Produto Interno Bruto (PIB), muito superior à média dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 481 toneladas de CO2 por cada milhão de dólares de PIB.

Fonte: Folha.com

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Brasil pode ter 93% da matriz energética limpa até 2050

Um relatório do Greenpeace demonstra que o País pode ter 93% da energia elétrica com origem em fontes renováveis, como eólica, biomassa e solar, sem deixar de ter crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O documento foi apresentado na terça-feira durante a Conferência do Clima da ONU de Cancún, a COP-16.

O aumento da energia limpa é chamado pela ONG ambientalista de revolução energética. Haveria benefício ao ambiente com a redução do uso de combustíveis fósseis para gerar energia, já que eles contribuem para as mudanças climáticas. Também seria uma forma de garantir a geração de 3 milhões de empregos.

Segundo Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace, foram consultados especialistas de diversas instituições para a elaboração do relatório, como a Universidade de São Paulo (USP) e a União da Indústria da Cana-de-Açúcar.

No cenário da revolução energética, as hidrelétricas responderiam por 45,6% da matriz, a eólica por 20,3%, a biomassa por 16,6% e a solar por 9,26%. Considera-se que é possível aumentar até 2050, nesse quadro, em até três vezes a taxa de consumo de energia e em até 4% o PIB. E não haveria necessidade de usar termelétricas a carvão, óleo diesel ou usinas nucleares. O gás natural, considerado “fonte de transição”, corresponderia a 7,3% da matriz. A energia oceânica teria 0,77%.

Como comparação, o cenário que usa dados do governo, menos ambicioso, aponta que em 2050 a eólica seria 6% da matriz, a biomassa 8,85% e a solar, menos de 1%. A fonte hidrelétrica seria a maioria (56,3%), gás natural seria 15,9%, óleo combustível, 5,35% e nuclear, 5,31%.


Fonte: Estadao.com.br

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

CETESB divulga 1º Inventário Estadual de Gases de Efeito Estufa

Em tempos de descrença geral por um avanço concreto nas negociações a serem empreendidas na COP-16, a Convenção do Clima que se realiza desde ontem em Cancún, no México, o Governo do Estado de São Paulo dá um exemplo positivo, com a apresentação, em 30.11, do “1º Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE) do Estado de São Paulo: Emissões de 2005”. O evento aconteceu no auditório da sede da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SMA, na capital, com o apoio da Embaixada Britânica e do Programa Estadual de Mudanças Climáticas – Proclima.

Os especialistas da CETESB, João Wagner Alves; da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, Magda Aparecida de Lima; da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologias Espaciais – Funcate, Clotilde Ferri; da empresa Ciclo Ambiental, Marcos Cunha; da Petrobras, Ronny Potolski; da Associação Brasileira da Indústria Química – Abiquim, Obdulio Fanti; e do Instituto Mauá de Tecnologia, Roberto Peixoto, fizeram a exposição do resumo do inventário estadual e dos cinco grandes setores enfocados, seguindo a classificação utilizada pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, de acordo com a origem das emissões: energia; processos industriais; uso da terra, mudança no uso da terra e florestas; agropecuária; e resíduos.

Os documentos estão previamente disponibilizados para consulta pública, no site da CETESB, desde o dia 22 de outubro último, após um período de elaboração de três anos, que contou com a participação de instituições especializadas nos setores inventariados e a coordenação do Proclima e da SMA. Com a consulta pública, prevista no decreto estadual que regulamentou o inventário, instituído pela Política Estadual de Mudanças Climáticas – PEMC, os mais diversos especialistas e interessados podem dar suas contribuições ao documento final. A consulta pública estará aberta, pelo menos, até o dia 31 de dezembro de 2010.

De acordo com Josilene Ferrer, secretária-executiva do Proclima, o Inventário Estadual é resultado de uma iniciativa inédita no Brasil de elaboração de um amplo e detalhado diagnóstico das emissões de gases de efeito estufa do Estado de São Paulo no período de 1990 a 2008, e servirá de base para se atingir as metas de redução de emissão de GEE, até 2020, em todos os setores – de 20% dos níveis de 2005 - , estabelecidas pela Lei Estadual 13.798/2009. Seus dados serão disponibilizados na página da CETESB.

Conforme o Resumo do Inventário Estadual de GEE apresentado hoje os setores de Energia e de Agropecuária são os grandes responsáveis pelas emissões de todos os GEE, tendo por base o ano referência de 2005, com 57% e 20%, respectivamente, de contribuição. O setor de Uso da terra, Mudança no uso da terra e Florestas aparece com 9%, o da Indústria, com 8% e de Resíduos, com 6%, cada. O total de emissões de todos os GEE é de 143.456.000 toneladas de CO2 equivalente (com base no potencial de aquecimento global – Global Warming Potential, ou GWP).

Se considerarem apenas as emissões de CO2 (gás carbônico), que é o gás de efeito estufa que serve como referência na Lei Estadual de Mudanças Climáticas, e segundo o qual estão estabelecidas as metas de redução, o setor de Energia responde por 82%, o de Uso da terra, Mudança no uso da terra e Florestas por 14% e a Indústria por 4%. As emissões dos outros setores são inferiores. O total de emissões de CO2 é de 97.355.000 toneladas. E considerando-se somente as emissões de metano, o setor de Agropecuária é responsável por 62% e de Resíduos, por 36%.

Fonte: CETESB

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O lixo mais rápido da Europa

Logo abaixo das ruas de Barcelona, existe uma outra malha de tráfego. A uma profundidade de 5 metros, o lixo de casas, escritórios e até hospitais da capital catalã viaja a uma velocidade de cerca de 70 quilômetros por hora por meio de 113 km de tubulações, rede a vácuo que literalmente suga os resíduos produzidos pela população. Todas as vias conduzem aos mesmos destinos, centrais de armazenamento onde o material é processado, estocado em contêineres e finalmente levado a estações de reciclagem ou de incineração.

A chamada coleta pneumática, desenvolvida pela empresa sueca Envac, transformou a gestão de resíduos de Barcelona desde que foi adotada, no início dos anos 90. Hoje a cidade tem 30% do lixo coletado em oito pontos. Cada uma dessas malhas subterrâneas é independente, conectada por dutos a uma central específica. Pode parecer futurista demais, mas existem 600 redes semelhantes espalhadas por 150 cidades de todo o planeta.

As vantagens ambientais são muitas: o fim dos caminhões de lixo, a diminuição das pilhas de sacos nas ruas e o estímulo à coleta seletiva, já que cada tipo de resíduo – reciclável, não-reciclável e orgânico – é lançado na rede subterrânea separadamente e vai para contêineres próprios.

"A ausência de caminhões de lixo evita odores, acúmulo de lixo e melhora o tráfego. Além das vantagens ambientais, o sistema proporciona um melhor aproveitamento do espaço urbano”, afirma Carlos Vazquez, chefe do Departamento de Gestão de Resíduos da prefeitura local.

O bairro de Lesseps, no distrito de Gràcia, adotou a coleta a vácuo recentemente, em 2009. O presidente da associação de moradores, Josep Maria Flotats, é um dos entusiastas do sistema, que atende 5,6 mil pessoas em Lesseps. “O bairro está mais bonito, limpo e sem odores. Não há mais acúmulo de lixo pelas ruas à espera dos caminhões de coleta, cuja ausência também tornou o bairro menos barulhento”, conta o barbeiro de 65 anos, que organizou uma visita à central de coleta para os moradores no fim do ano passado. “É importante mostrar à população para onde de fato está indo o lixo que ela produz. Todos ficaram satisfeitos.”

O vice-presidente da Envac Iberia, Albert Mateu, que administra os sistemas na Espanha e em Portugal, afirma que a coleta a vácuo deve cobrir 70% de Barcelona até 2018, ano em que a empresa espera concluir as outras redes de coleta projetadas para a cidade. “Infelizmente, não é possível chegar a 100% por conta de alguns bairros com pequenas colinas e irregularidades no terreno, que inviabilizam a instalação dos dutos”, explica.

Barcelona instalou o primeiro sistema de coleta subterrânea para os Jogos Olímpicos de 1992. O sistema criado para a vila olímpica construída com tecnologias sustentáveis no bairro Poblenou, a noroeste da cidade, atende ainda hoje a 4,4 mil residências. O exemplo da vila deu origem às outras sete redes de coleta, que, 18 anos depois, beneficiam aproximadamente 324 mil moradores.

Fonte: Estadão.com.br

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Câmara Ambiental de Saneamento discute reuso urbano de água de ETEs

Dando continuidade aos seus trabalhos, a Câmara Ambiental de Saneamento, reestruturada recentemente e com nova gestão desde junho, realizou em 22.11, na sede da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB, uma reunião do Grupo de Trabalho – GT formado para discutir o assunto da água de reuso.

Participaram do encontro, além de Eduardo Mazzolenis, secretário executivo da Câmara Ambiental, e de Fátima Valéria de Carvalho, da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES, que coordenou a reunião do GT, outros especialistas da CETESB, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP, da ABES, da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas dos Serviços Públicos de Água e Esgoto - Abcon, do Sindicato Nacional das Indústrias de Equipamentos para Saneamento Básico e Ambiental – Sindesan.

Uma participação especial ocorreu por conta da presença de Luís Sérgio Valentim, do Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde, que fez um breve relato das preocupações e discussões, desenvolvidas no âmbito do Governo do Estado de São Paulo, sobre a importância de se regulamentar o reuso para fins urbanos de água proveniente de Estações de Tratamento de Esgoto - ETEs.

Em consequência disso, o tema principal abordado na reunião do GT girou em torno da necessidade de uma regulamentação legal específica envolvendo essa forma de reuso, uma demanda que nasceu na Secretaria Estadual da Saúde em 2008.

Segundo Mazzolenis, “este GT e a Câmara poderão contribuir com as Secretarias Estaduais de Saúde, do Meio Ambiente, e de Saneamento e Energia, para esta regulamentação e poderão subsidiar outras iniciativas no país”.

Assim, os técnicos presentes ao encontro enfatizaram a importância e necessidade de retomada da discussão da minuta de resolução conjunta elaborada pelas secretarias estaduais em 2009. Ao final, segundo o secretário executivo da Câmara, como o GT reúne grande parte das instituições ligadas ao tema e conta com apoio das universidades, e ainda abrange diversos aspectos sobre o mesmo assunto, ficou acertado pelos presentes que, além da resolução, os representantes das entidades participantes discutirão, nas próximas reuniões, os estudos e normas já disponíveis em nível nacional e internacional.

Fonte: Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.