O Brasil cumpriu poucas metas para a proteção de seus biomas estipuladas na Convenção das Nações Unidas (ONU) sobre Conservação da Diversidade Biológica. É o que mostra levantamento da organização não governamental (ONG) WWF-Brasil em parceria com a Conselho Nacional Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.
Das 51 metas nacionais que deveriam ser atingidas até 2010, o país cumpriu duas na totalidade; cinco não foram executadas, e o restante encontra-se em estágios intermediários de cumprimento.
De acordo com o levantamento, o país não cumpriu a meta de recuperar no mínimo 30% dos principais estoques pesqueiros com gestão participativa e controle de capturas. Também não colocou em ação planos de manejo para controlar, pelo menos, 25 das principais espécies exóticas invasoras que mais ameaçam os ecossistemas.
O país também não implementou projetos de proteção ao conhecimento de todas as comunidades tradicionais dos biomas, e nem criou políticas para que os benefícios resultantes do uso comercial dos recursos genéticos dos ecossistemas fossem efetivamente repartidos de forma equitativa em prol da conservação da biodiversidade.
O Brasil, segundo a WWF, cumpriu apenas a redução média de 25% no número de focos de calor em cada bioma, e também elaborou uma lista amplamente acessível das espécies brasileiras formalmente descritas de plantas, animais vertebrados, animais invertebrados e microorganismos.
“No campo do conhecimento, de criação de áreas protegidas, de monitoramento, as notícias são boas. Em outros campos, sobre o uso sustentável dos biomas, de se colocar o meio ambiente no centro das decisões políticas, e de se criar uma economia verde, as notícias são ruins”, avaliou o superintendente de conservação do WWF-Brasil, Cláudio Maretti. Maretti.
O estudo mostra ainda que o Brasil cumpriu apenas em parte a meta de redução na taxa de desmatamento de seus biomas. Não foi alcançado o estipulado pela convenção da ONU, de diminuição de 100% no desmatamento no Bioma Mata Atlântica, de 75% no Bioma Amazônia e de 50% nos demais biomas.
Com encerramento dos prazos de 2010, e com as decisões tomadas na conferência de Nagoia (Japão), em outubro do ano passado, ficaram definidas metas ainda mais ambiciosas para o Brasil. O objetivo agora é aumentar para 17% as áreas protegidas até 2020, praticamente o dobro do que o bioma abriga hoje. (Fonte: Bruno Bocchini/ Agência Brasil)
Inventário de Emissões de GGE - Licenciamento - Terceirização de Departamentos / Secretarias Ambientais - Auditoria Ambiental - Projetos de Eficiência Energética - Assessoria em Sustentabilidade
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Chuvas, Meio Ambiente e Sociedade
Luis Fernando de Freitas Penteado*
Impossível não se comover com os atuais acontecimentos provocados pelas chuvas em todo o mundo. No Brasil, a realidade das cenas apresentadas nos principais noticiários televisivos é cruel. Não há como ficar passivo frente ao sofrimento daqueles diretamente prejudicados pelas enchentes e desmoronamentos, das pessoas que perderam membros da família, amigos, casas, móveis, tudo. Mas o que realmente impressiona é a sensação de déjà vu. Entra ano, sai ano, e a história se repete, cada vez com maior intensidade. Qual seria a explicação para isso? Posso apresentar algumas.
Poderia navegar pelo mar comum das notícias relacionadas a esse caos climático, apontando o Governo como o maior responsável pelos prejuízos e mortes. Mas pretendo no presente artigo chamar a atenção para outra origem do problema: o descaso da própria sociedade frente às questões ambientais.
Como todos sabem, atualmente o fenômeno das mudanças climáticas deixou de ser um mito para tomar seu posto de problema mundial. Não muito tempo atrás, nós que estudávamos o assunto e nos posicionávamos éramos motivo de descrédito. Tal descrédito refletia a própria visão social do problema. Tanto a população como, principalmente, a iniciativa privada (e claro, os governos) trataram com descaso os alertas e clamores pela proteção do meio ambiente, no qual se inclui as chamadas Áreas de Proteção Permanente, tais como as matas em encostas íngremes, topos de morros e margens de rios.
As principais funções ambientais dessas áreas são exatamente as de evitar que as chuvas arrastem lixo e terra para o leito dos rios, tornando-os menos profundos, causando enchentes cada vez maiores, e proteger as encostas de desmoronamentos.
Ocorre que até hoje as empresas continuam desrespeitando as leis, construindo barracões e indústrias nesses locais destinados à proteção ambiental e à contensão desse caos que temos presenciado. Da mesma forma, um verdadeiro exército de famílias tem ocupado de forma precária as margens de rios e morros, correndo sérios riscos de vida, além de prejudicar o meio ambiente de forma praticamente irreversível. Claro, existe uma grande parcela de culpa do Poder Público nessas ocupações. Mas cabe aqui a ressalva de que expressiva parcela dessas famílias degradadoras possui situação econômica confortável e acesso à informação, cultura.
Realmente, o Poder Público possui grande parcela de culpa nos desastres causados pelas chuvas e que temos acompanhado recentemente pela mídia. Agora, cabe à sociedade e à iniciativa privada fazer sua parte, respeitando o meio ambiente, buscando uma convivência harmoniosa com a natureza, para que dela possa usufruir, desenvolvendo-se sempre em busca da sustentabilidade.
Caso medidas urgentes não sejam tomadas pelo Poder Público, e a iniciativa privada e a sociedade não assumam suas responsabilidades na proteção do meio ambiente, uma coisa é certa: novas e piores cenas serão veiculadas nos noticiários, ano após ano, pois as mudanças climáticas e seus efeitos apenas começaram.
*Luis Fernando de Freitas Penteado é advogado; Mestre em Direito Ambiental pela PUC-SP; Auditor Interno NBR ISSO 14.001 Certificado pela Fundação Vanzolini – USP; MBA em Gestão Empresarial em Negócios pela FIA-USP; Mediador da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo; Professor de Direito Ambiental da PUC-SP/COGEAE, no curso de Especialização; Professor de Direito Ambiental da PUC-Campinas; atua principalmente nos seguintes temas: Gestão Ambiental Empresarial e Pública, Licenciamento, Processos Administrativos e Judiciais, questões urbanas, auditoria ambiental e terceiro setor, pelo Escritório Freitas Penteado Sociedade de Advogados e pela Prana Assessoria e Gestão Ambiental.
Artigo publicado em 25 de janeiro no jornal Correio Popular.
Impossível não se comover com os atuais acontecimentos provocados pelas chuvas em todo o mundo. No Brasil, a realidade das cenas apresentadas nos principais noticiários televisivos é cruel. Não há como ficar passivo frente ao sofrimento daqueles diretamente prejudicados pelas enchentes e desmoronamentos, das pessoas que perderam membros da família, amigos, casas, móveis, tudo. Mas o que realmente impressiona é a sensação de déjà vu. Entra ano, sai ano, e a história se repete, cada vez com maior intensidade. Qual seria a explicação para isso? Posso apresentar algumas.
Poderia navegar pelo mar comum das notícias relacionadas a esse caos climático, apontando o Governo como o maior responsável pelos prejuízos e mortes. Mas pretendo no presente artigo chamar a atenção para outra origem do problema: o descaso da própria sociedade frente às questões ambientais.
Como todos sabem, atualmente o fenômeno das mudanças climáticas deixou de ser um mito para tomar seu posto de problema mundial. Não muito tempo atrás, nós que estudávamos o assunto e nos posicionávamos éramos motivo de descrédito. Tal descrédito refletia a própria visão social do problema. Tanto a população como, principalmente, a iniciativa privada (e claro, os governos) trataram com descaso os alertas e clamores pela proteção do meio ambiente, no qual se inclui as chamadas Áreas de Proteção Permanente, tais como as matas em encostas íngremes, topos de morros e margens de rios.
As principais funções ambientais dessas áreas são exatamente as de evitar que as chuvas arrastem lixo e terra para o leito dos rios, tornando-os menos profundos, causando enchentes cada vez maiores, e proteger as encostas de desmoronamentos.
Ocorre que até hoje as empresas continuam desrespeitando as leis, construindo barracões e indústrias nesses locais destinados à proteção ambiental e à contensão desse caos que temos presenciado. Da mesma forma, um verdadeiro exército de famílias tem ocupado de forma precária as margens de rios e morros, correndo sérios riscos de vida, além de prejudicar o meio ambiente de forma praticamente irreversível. Claro, existe uma grande parcela de culpa do Poder Público nessas ocupações. Mas cabe aqui a ressalva de que expressiva parcela dessas famílias degradadoras possui situação econômica confortável e acesso à informação, cultura.
Realmente, o Poder Público possui grande parcela de culpa nos desastres causados pelas chuvas e que temos acompanhado recentemente pela mídia. Agora, cabe à sociedade e à iniciativa privada fazer sua parte, respeitando o meio ambiente, buscando uma convivência harmoniosa com a natureza, para que dela possa usufruir, desenvolvendo-se sempre em busca da sustentabilidade.
Caso medidas urgentes não sejam tomadas pelo Poder Público, e a iniciativa privada e a sociedade não assumam suas responsabilidades na proteção do meio ambiente, uma coisa é certa: novas e piores cenas serão veiculadas nos noticiários, ano após ano, pois as mudanças climáticas e seus efeitos apenas começaram.
*Luis Fernando de Freitas Penteado é advogado; Mestre em Direito Ambiental pela PUC-SP; Auditor Interno NBR ISSO 14.001 Certificado pela Fundação Vanzolini – USP; MBA em Gestão Empresarial em Negócios pela FIA-USP; Mediador da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo; Professor de Direito Ambiental da PUC-SP/COGEAE, no curso de Especialização; Professor de Direito Ambiental da PUC-Campinas; atua principalmente nos seguintes temas: Gestão Ambiental Empresarial e Pública, Licenciamento, Processos Administrativos e Judiciais, questões urbanas, auditoria ambiental e terceiro setor, pelo Escritório Freitas Penteado Sociedade de Advogados e pela Prana Assessoria e Gestão Ambiental.
Artigo publicado em 25 de janeiro no jornal Correio Popular.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
"La Niña" explica inundações em vários países do mundo
Menos conhecido e menos frequente que o "El Niño", o "La Niña" é um fenômeno natural que resfria as águas do oceano Pacífico e produz mudanças na dinâmica atmosférica. Assim como o primeiro, também pode impor um padrão distinto de comportamento climático em todo o mundo.
O último episódio do "La Niña" atinge agora seu pico e, segundo estudiosos, pode se estender até o meio deste ano. Seus primeiros efeitos, avaliados como sendo de intensidade moderada a forte, começaram a ser percebidos em meados de 2010.
O fenômeno pode ser o responsável por inundações na Austrália e nas Filipinas, onde dez pessoas morreram desde o início deste mês.
As chuvas torrenciais que mataram centenas de pessoas na Venezuela e na Colômbia, em novembro e dezembro, também são reflexos do "La Niña". A inundação no Paquistão, em agosto do ano passado, encaixa-se nos efeitos do fenômeno.
Naquele país, os reflexos do "La Niña" foram particularmente ruins. Na região, o "La Niña" foi imediatamente seguido pelo "El Niño", que tende a deixar as temperaturas no oceano Índico mais altas que o normal.
O ar mais quente contém mais vapor de água e assim pode produzir mais chuva.
"Os padrões altos de precipitação do "La Niña", aliados ao calor após o "El Niño", ajudam a explicar por que as inundações no
Paquistão foram tão devastadoras", diz o especialista Kevin Trenberth, do Centro Americano para Pesquisa Atmosférica.
Mares mais quentes na Austrália também podem explicar a dimensão das atuais inundações.
Devido ao aquecimento das águas, as inundações, em associação ao "El Niño", devem se agravar em breve. E esses não são os únicos danos que o fenômeno pode causar. Nos próximos meses, a corrente "La Niña" pode fazer mais vítimas em outras partes do mundo.
De acordo com um estudo da Cruz Vermelha e do Instituto Internacional de Pesquisas de Clima e Sociedade, chuvas fortes podem ser esperadas no norte da América do Sul e no sudoeste da África nos próximos dois meses.
Em fevereiro de 2000, as enchentes devastadoras em Moçambique, na África, ocorreram exatamente quando o "La Niña" estava próximo do seu pico.
O último episódio do "La Niña" atinge agora seu pico e, segundo estudiosos, pode se estender até o meio deste ano. Seus primeiros efeitos, avaliados como sendo de intensidade moderada a forte, começaram a ser percebidos em meados de 2010.
O fenômeno pode ser o responsável por inundações na Austrália e nas Filipinas, onde dez pessoas morreram desde o início deste mês.
As chuvas torrenciais que mataram centenas de pessoas na Venezuela e na Colômbia, em novembro e dezembro, também são reflexos do "La Niña". A inundação no Paquistão, em agosto do ano passado, encaixa-se nos efeitos do fenômeno.
Naquele país, os reflexos do "La Niña" foram particularmente ruins. Na região, o "La Niña" foi imediatamente seguido pelo "El Niño", que tende a deixar as temperaturas no oceano Índico mais altas que o normal.
O ar mais quente contém mais vapor de água e assim pode produzir mais chuva.
"Os padrões altos de precipitação do "La Niña", aliados ao calor após o "El Niño", ajudam a explicar por que as inundações no
Paquistão foram tão devastadoras", diz o especialista Kevin Trenberth, do Centro Americano para Pesquisa Atmosférica.
Mares mais quentes na Austrália também podem explicar a dimensão das atuais inundações.
Devido ao aquecimento das águas, as inundações, em associação ao "El Niño", devem se agravar em breve. E esses não são os únicos danos que o fenômeno pode causar. Nos próximos meses, a corrente "La Niña" pode fazer mais vítimas em outras partes do mundo.
De acordo com um estudo da Cruz Vermelha e do Instituto Internacional de Pesquisas de Clima e Sociedade, chuvas fortes podem ser esperadas no norte da América do Sul e no sudoeste da África nos próximos dois meses.
Em fevereiro de 2000, as enchentes devastadoras em Moçambique, na África, ocorreram exatamente quando o "La Niña" estava próximo do seu pico.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Mudanças climáticas não podem ser desculpa para enchentes, diz especialista
O aumento da incidência de chuvas em consequência das mudanças climáticas globais não pode servir de desculpa para os governos não agirem para evitar enchentes, na avaliação de Debarati Guha-Sapir, diretora do Centro de Pesquisas sobre a Epidemiologia de Desastres (CRED), de Bruxelas, na Bélgica.
"Não é possível fazer nada agora para que não chova mais. Mas temos que buscar os fatores não ligados à chuva para entender e prevenir desastres como esses (das enchentes no Brasil e na Austrália)", disse ela à BBC Brasil.
"Dizer que o problema é consequência das mudanças climáticas é fugir da responsabilidade, é desculpa dos governos para não fazer nada para resolver o problema", critica Guha-Sapir, que é também professora de Saúde Pública da Universidade de Louvain.
Dados. O CRED vem coletando dados sobre desastres no mundo todo há mais de 30 anos. Guha-Sapir diz que os dados indicam um aumento considerável no número de enchentes na última década, tanto em termos de quantidade de eventos quanto em número de vítimas.
Segundo ela, as consequências das inundações são agravadas pela urbanização caótica, pelas altas concentrações demográficas e pela falta de atuação do poder público.
"Há muitas ações de prevenção, de baixo custo, que podem ser adotadas, sem a necessidade de grandes operações de remoção de moradores de áreas de risco", diz, citando como exemplo proteções em margens de rios e a criação de áreas para alagamento (piscinões).
Para a especialista, questões como infraestrutura, ocupação urbana, desenvolvimento das instituições públicas e nível de pobreza e de educação ajudam a explicar a disparidade no número de vítimas entre as enchentes na Austrália e no Brasil.
"A Austrália é um país com uma infraestrutura melhor, com maior capacidade de alocar recursos e equipamentos para a prevenção e o resgate, com instituições e mecanismos mais democráticos, que conseguem atender a toda a sociedade, incluindo os mais pobres, que estão em áreas de mais risco", afirma.
Para ela, outro fator que tem impacto sobre o número de mortes é o nível de educação da população. "Pessoas mais educadas estão mais conscientes dos riscos e têm mais possibilidades de adotar ações apropriadas", diz,
Apesar disso, ela observa que a responsabilidade sobre as enchentes não deve recair sobre a população. "Isso é um dever das autoridades. Elas não podem fugir à responsabilidade", afirma. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Fonte: estadao.com
"Não é possível fazer nada agora para que não chova mais. Mas temos que buscar os fatores não ligados à chuva para entender e prevenir desastres como esses (das enchentes no Brasil e na Austrália)", disse ela à BBC Brasil.
"Dizer que o problema é consequência das mudanças climáticas é fugir da responsabilidade, é desculpa dos governos para não fazer nada para resolver o problema", critica Guha-Sapir, que é também professora de Saúde Pública da Universidade de Louvain.
Dados. O CRED vem coletando dados sobre desastres no mundo todo há mais de 30 anos. Guha-Sapir diz que os dados indicam um aumento considerável no número de enchentes na última década, tanto em termos de quantidade de eventos quanto em número de vítimas.
Segundo ela, as consequências das inundações são agravadas pela urbanização caótica, pelas altas concentrações demográficas e pela falta de atuação do poder público.
"Há muitas ações de prevenção, de baixo custo, que podem ser adotadas, sem a necessidade de grandes operações de remoção de moradores de áreas de risco", diz, citando como exemplo proteções em margens de rios e a criação de áreas para alagamento (piscinões).
Para a especialista, questões como infraestrutura, ocupação urbana, desenvolvimento das instituições públicas e nível de pobreza e de educação ajudam a explicar a disparidade no número de vítimas entre as enchentes na Austrália e no Brasil.
"A Austrália é um país com uma infraestrutura melhor, com maior capacidade de alocar recursos e equipamentos para a prevenção e o resgate, com instituições e mecanismos mais democráticos, que conseguem atender a toda a sociedade, incluindo os mais pobres, que estão em áreas de mais risco", afirma.
Para ela, outro fator que tem impacto sobre o número de mortes é o nível de educação da população. "Pessoas mais educadas estão mais conscientes dos riscos e têm mais possibilidades de adotar ações apropriadas", diz,
Apesar disso, ela observa que a responsabilidade sobre as enchentes não deve recair sobre a população. "Isso é um dever das autoridades. Elas não podem fugir à responsabilidade", afirma. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Fonte: estadao.com
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Ministro quer criar programa contra desastres naturais
O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, quer desenvolver no ministério um "grande programa de previsão de catástrofes naturais".
Segundo ele, mais de 60% dos desastres naturais do País hoje são enchentes e desmoronamentos de encostas. "Nós estimamos aproximadamente 500 áreas de risco e mais ou menos 5 milhões de pessoas expostas", afirmou Mercadante ontem. Ele visitava o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).
O ministro avalia que a aquisição de um supercomputador para o Inpe, que já está em funcionamento, será fundamental para o programa. "O georreferenciamento de áreas de risco e uma previsão meteorológica que tenha maior capacidade de se antecipar aos fenômenos vai permitir que a gente tenha, com a Defesa Civil e com o apoio das Forças Armadas, condições de prevenir desastres naturais."
Ele lembrou das enchentes que atingiram duramente Santa Catarina e o Rio de Janeiro no ano passado e que atingem Minas Gerais neste ano. "Precisamos nos preparar para esse cenário", afirma.
Medidas fiscais. Mercadante também defendeu que produtos que contribuam para o ambiente ou reduzam as emissões de gases-estufa recebam incentivos fiscais no País.
Como exemplo, ele citou um plástico feito com matéria-prima do etanol, criado pela Brasken. "O custo desse plástico ainda é mais elevado que o comum e hoje não existe nenhuma medida fiscal que estimule a produção desse produto", explicou o ministro. Segundo ele, esse incentivo ajudaria também a reduzir o déficit comercial do País com a importação de nafta.
PARA LEMBRAR
Desde 2007 que se fala na compra de um supercomputador para o Inpe para melhorar a previsão do tempo e monitorar as mudanças climáticas no País. O equipamento, inaugurado no dia 28 de dezembro, está agora em funcionamento e é capaz de realizar 258 trilhões de cálculos por segundo. O supercomputador foi batizado de Tupã e está instalado em Cachoeira Paulista.
Fonte: estadao.com.br
Segundo ele, mais de 60% dos desastres naturais do País hoje são enchentes e desmoronamentos de encostas. "Nós estimamos aproximadamente 500 áreas de risco e mais ou menos 5 milhões de pessoas expostas", afirmou Mercadante ontem. Ele visitava o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).
O ministro avalia que a aquisição de um supercomputador para o Inpe, que já está em funcionamento, será fundamental para o programa. "O georreferenciamento de áreas de risco e uma previsão meteorológica que tenha maior capacidade de se antecipar aos fenômenos vai permitir que a gente tenha, com a Defesa Civil e com o apoio das Forças Armadas, condições de prevenir desastres naturais."
Ele lembrou das enchentes que atingiram duramente Santa Catarina e o Rio de Janeiro no ano passado e que atingem Minas Gerais neste ano. "Precisamos nos preparar para esse cenário", afirma.
Medidas fiscais. Mercadante também defendeu que produtos que contribuam para o ambiente ou reduzam as emissões de gases-estufa recebam incentivos fiscais no País.
Como exemplo, ele citou um plástico feito com matéria-prima do etanol, criado pela Brasken. "O custo desse plástico ainda é mais elevado que o comum e hoje não existe nenhuma medida fiscal que estimule a produção desse produto", explicou o ministro. Segundo ele, esse incentivo ajudaria também a reduzir o déficit comercial do País com a importação de nafta.
PARA LEMBRAR
Desde 2007 que se fala na compra de um supercomputador para o Inpe para melhorar a previsão do tempo e monitorar as mudanças climáticas no País. O equipamento, inaugurado no dia 28 de dezembro, está agora em funcionamento e é capaz de realizar 258 trilhões de cálculos por segundo. O supercomputador foi batizado de Tupã e está instalado em Cachoeira Paulista.
Fonte: estadao.com.br
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Copa de 2014 terá produtos da sociobiodiversidade
A agricultura familiar e os pequenos extrativistas dos oito biomas brasileiros já estão escalados para participar da Copa do Mundo de 2014. Um projeto orçado em R$ 3,2 milhões vai fazer chegar aos turistas brasileiros e estrangeiros que usarem a rede hoteleira, nas 12 cidades sedes dos jogos, vários produtos da sociobiodiversidade.
Uma parceria entre MMA, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério da Agricultura e Sebrae, dentro do Programa Copa Orgânica, vai facilitar o acesso ao mercado para a produção de pequenos empreendedores, quilombolas, povos tradicionais e indígenas. Dos 125 projetos selecionados, 46 envolvem produções extrativistas e vão compor a cesta das chamadas amenities, produtos de uso pessoal, geralmente miniaturas, como essências, sabonetes e artesanatos, oferecidos aos hóspedes ou comercializados na rede hoteleira.
Os empreendimentos foram selecionados por edital, como parte do Projeto Talentos do Brasil Rural, do Sebrae, e enviados à Secretaria e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA. O resultado final da seleção está previsto para sair em fevereiro. Os recursos para cada ação dependem do tamanho da iniciativa, não implicando em repasse direto. Os empreendimentos devem receber assistência técnica, capacitação e apoio dos órgãos envolvidos para agregar valor e se tornar atrativos e competitivos no mercado.
Além da abertura de um mercado, a iniciativa vai servir para divulgar e disseminar o uso de alguns produtos da sociobiodiversidade do País. Para a diretora do Departamento de Extrativismo, Cláudia Calório, o apelo social é forte, pois vai capacitar os pequenos produtores a conquistar novos nichos de mercado para uma produção sustentável. "Este tipo de projeto preserva a natureza e garante emprego e renda para os povos que vivem da sociobiodiversidade, sem derrubar as florestas ou degradar o meio ambiente", avalia.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente
Uma parceria entre MMA, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério da Agricultura e Sebrae, dentro do Programa Copa Orgânica, vai facilitar o acesso ao mercado para a produção de pequenos empreendedores, quilombolas, povos tradicionais e indígenas. Dos 125 projetos selecionados, 46 envolvem produções extrativistas e vão compor a cesta das chamadas amenities, produtos de uso pessoal, geralmente miniaturas, como essências, sabonetes e artesanatos, oferecidos aos hóspedes ou comercializados na rede hoteleira.
Os empreendimentos foram selecionados por edital, como parte do Projeto Talentos do Brasil Rural, do Sebrae, e enviados à Secretaria e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA. O resultado final da seleção está previsto para sair em fevereiro. Os recursos para cada ação dependem do tamanho da iniciativa, não implicando em repasse direto. Os empreendimentos devem receber assistência técnica, capacitação e apoio dos órgãos envolvidos para agregar valor e se tornar atrativos e competitivos no mercado.
Além da abertura de um mercado, a iniciativa vai servir para divulgar e disseminar o uso de alguns produtos da sociobiodiversidade do País. Para a diretora do Departamento de Extrativismo, Cláudia Calório, o apelo social é forte, pois vai capacitar os pequenos produtores a conquistar novos nichos de mercado para uma produção sustentável. "Este tipo de projeto preserva a natureza e garante emprego e renda para os povos que vivem da sociobiodiversidade, sem derrubar as florestas ou degradar o meio ambiente", avalia.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Triplica número de afetados pelo clima no Brasil
De 2007 a 2009, triplicou o número de brasileiros afetados por inundações, secas, vendavais e temperaturas extremas. É o que revela o Atlas Nacional do Brasil Milton Santos, lançado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O aumento mais impressionante ocorreu no item inundações. Em 2009, as enchentes – que em 2007 haviam afetado 1 milhão de pessoas – impactaram 3,2 milhões de brasileiros. No item secas, o salto foi de pouco mais de 750 mil para cerca de 1,8 milhão, e nos desastres com causas eólicas e temperaturas extremas, o número de afetados passou de 200 mil para 800 mil.
As informações do atlas foram divulgadas três dias após o fim da Conferência do Clima das Nações Unidas, realizada em Cancún, México.
Em sua sexta versão – a primeira foi em 1937 e a quinta, em 2000 –, a publicação mostra a evolução da proporção de vítimas e dos tipos de desastre distribuídos pelo território brasileiro no período 2007-2009.
O atlas revela, por exemplo, que Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Piauí foram os Estados que tiveram a maior proporção de habitantes afetados – entre 12,1% e 15,2%.
No ano passado, os gaúchos foram os mais afetados pelas secas. Do 1,6 milhão de habitantes que sofreram com desastres naturais no Estado, mais da metade enfrentou a falta de chuvas.No mesmo ano, os capixabas foram fortemente afetados pelas enxurradas.
Os números divulgados ontem abalam uma crença arraigada no senso comum: a de que o Brasil estaria livre de grandes tragédias naturais que afetam duramente outros países.
Eixos. Território e Meio Ambiente é o nome de um dos quatro “eixos” do atlas, que, por determinação legal, leva o nome daquele que é considerado o maior geógrafo nascido no Brasil, Milton Santos (1926-2001).
Em suas páginas, disseca questões como uso de agrotóxicos, espécies em extinção, reservas florestais, cobertura vegetal, biomas, queimadas, ameaças à biodiversidade – tudo referenciado em mapas coloridos do Brasil e dos Estados. As fontes são o próprio IBGE e órgãos oficiais, do Instituto Chico Mendes à Fundação Nacional do Índio, abrangendo instituições internacionais, como o Banco Mundial.
Na mapa das Fontes de Ameaças à Biodiversidade, por exemplo, é possível ver a Concentração de Fontes de Ameaças, representadas por uma escala de cores que vai do amarelo (muito baixa) a negro (muito alta). A ilustração expõe a proximidade ou distância de unidades de conservação, por exemplo. O período examinado vai até setembro de 2009. Em outras páginas é possível ver a representação da Poluição Industrial Potencial e do Uso de Agroquímicos.
A primeira, com dados de setembro de 2010, mostra que os Estados que concentram mais poluentes são São Paulo e Minas Gerais. Um gráfico indica que o poluente industrial mais emitido no País é o monóxido de carbono (CO). Sozinha, a indústria metalúrgica responde pela emissão anual de 400 mil toneladas dessa substância. A segunda revela que São Paulo liderou, em 2005 (último dado disponível), o consumo de agrotóxicos, com 55 mil toneladas anuais.
Fonte: Estadão.com.br
O aumento mais impressionante ocorreu no item inundações. Em 2009, as enchentes – que em 2007 haviam afetado 1 milhão de pessoas – impactaram 3,2 milhões de brasileiros. No item secas, o salto foi de pouco mais de 750 mil para cerca de 1,8 milhão, e nos desastres com causas eólicas e temperaturas extremas, o número de afetados passou de 200 mil para 800 mil.
As informações do atlas foram divulgadas três dias após o fim da Conferência do Clima das Nações Unidas, realizada em Cancún, México.
Em sua sexta versão – a primeira foi em 1937 e a quinta, em 2000 –, a publicação mostra a evolução da proporção de vítimas e dos tipos de desastre distribuídos pelo território brasileiro no período 2007-2009.
O atlas revela, por exemplo, que Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Piauí foram os Estados que tiveram a maior proporção de habitantes afetados – entre 12,1% e 15,2%.
No ano passado, os gaúchos foram os mais afetados pelas secas. Do 1,6 milhão de habitantes que sofreram com desastres naturais no Estado, mais da metade enfrentou a falta de chuvas.No mesmo ano, os capixabas foram fortemente afetados pelas enxurradas.
Os números divulgados ontem abalam uma crença arraigada no senso comum: a de que o Brasil estaria livre de grandes tragédias naturais que afetam duramente outros países.
Eixos. Território e Meio Ambiente é o nome de um dos quatro “eixos” do atlas, que, por determinação legal, leva o nome daquele que é considerado o maior geógrafo nascido no Brasil, Milton Santos (1926-2001).
Em suas páginas, disseca questões como uso de agrotóxicos, espécies em extinção, reservas florestais, cobertura vegetal, biomas, queimadas, ameaças à biodiversidade – tudo referenciado em mapas coloridos do Brasil e dos Estados. As fontes são o próprio IBGE e órgãos oficiais, do Instituto Chico Mendes à Fundação Nacional do Índio, abrangendo instituições internacionais, como o Banco Mundial.
Na mapa das Fontes de Ameaças à Biodiversidade, por exemplo, é possível ver a Concentração de Fontes de Ameaças, representadas por uma escala de cores que vai do amarelo (muito baixa) a negro (muito alta). A ilustração expõe a proximidade ou distância de unidades de conservação, por exemplo. O período examinado vai até setembro de 2009. Em outras páginas é possível ver a representação da Poluição Industrial Potencial e do Uso de Agroquímicos.
A primeira, com dados de setembro de 2010, mostra que os Estados que concentram mais poluentes são São Paulo e Minas Gerais. Um gráfico indica que o poluente industrial mais emitido no País é o monóxido de carbono (CO). Sozinha, a indústria metalúrgica responde pela emissão anual de 400 mil toneladas dessa substância. A segunda revela que São Paulo liderou, em 2005 (último dado disponível), o consumo de agrotóxicos, com 55 mil toneladas anuais.
Fonte: Estadão.com.br
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